Mostrando postagens com marcador ANTHRAX. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ANTHRAX. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

ANTHRAX - XL (2022)


 ANTHRAX

EUA

ESTILO : THRASH METAL



sexta-feira, 22 de outubro de 2021

segunda-feira, 7 de junho de 2021

terça-feira, 16 de março de 2021

sábado, 23 de fevereiro de 2019

terça-feira, 13 de junho de 2017

quarta-feira, 13 de abril de 2016

ANTHRAX - BONÚS EP "FOR ALL KINGS" (JAPAN EDITION) (2016)

ANTHRAX
EUA
ESTILO : THRASH METAL

EP BONÚS QUE SAIU NA EDIÇÃO JAPONESA DO NOVO PLAY "FOR ALL KINGS"

 https://mega.nz/#!iph3ySLI!XORANlH-njYYx7vj_c3msM6jmWlXomkoncJ6QznfqXo


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

ENTREVISTA - SCOTT IAN (ANTHRAX)


Depois de anos de espera os fãs do Anthrax finalmente ouviram "Worship Music", com o retorno de Joey Belladonna depois de 20 anos. A gravação desse álbum foi uma longa jornada com muita turbulência e mudanças na formação, mas a lendária banda de thrash Metal está muito feliz com o resultado. Anthrax irá tocar no "Big 4" com Metallica, Slayer e Megadeth em Nova Yorque, depois irão para uma turnê pelos EUA durante outubro e novembro. O ano de 2011 tem sido bom para o guitarrista Scott Ian, com um novo álbum e com o nascimento de seu filho.

Chad Bowar: Parabéns pelo bebê, como está sendo até agora sua adaptação à paternidade?

SI:De certa maneira você simplesmente o faz. Por muitos anos dissemos que não estávamos preparados, mas você pode dizer isso por toda a sua vida. Quando você está realmente pronto? Não existe uma maneira de estar verdadeiramente preparado para um filho, pois eu acho que é o tipo da coisa que você não pode saber até que tenha um filho. Você pode fazer muitos planos, daí chega o bebê e joga todos os planos pela janela, aí vamos! Eu acho que isso veio de forma natural para mim e minha esposa. Nós o queríamos muito e está sendo muito bom. Todo o trabalho e mudanças nos horários não importam, ele compensa tudo isso.

CB: Você sempre esteve envolvido em vários projetos. Você se vê diminuindo seu passo agora que você tem um filho?

SI: Com o Anthrax na ativa novamente essa será a única coisa que farei durante o próximo ano mais ou menos. Simplesmente não há tempo para qualquer outra coisa. Tudo o mais que fiz até hoje foi somente porque eu tinha tempo, graças a algumas janelas no cronograma da banda. Mas não haverá janelas em nosso cronograma tão cedo e o Anthrax será minha ocupação principal de qualquer maneira.

CB: Recentemente você tocou com o Public Enemy no "Sunset Strip Music Festival". Como foi retornar aos palcos com eles?

SI: Foi fantástico. Eu o fiz algumas vezes ao longo dos anos.É sempre bom demais. Somos velhos amigos e é como vestir sua velha camisa favorita. Subi no palco e cantei Rap com Chuck D e Flavor Flav, e isso foi algo que eu nunca pensei que faria. Depois de todos esses anos lá vou eu tocar com Chuck D. É incrível.



CB: Outra coisa que você provavelmente nunca pensou que faria foi bancar o zumbi, mas recentemente você participou de um webisode do Walking Dead da AMC.

SI: Foi completamente inesperado, veio do nada e eu aproveitei a oportunidade. Fui para casa com a maquiagem de zumbi, mas as pessoas praticamente não me viram pois eu estava no banco traseiro de um carro.Então, cheguei em casa e dei comida para meu filho com a maquiagem e ele sequer piscou. Isso me fez pensar sobre o quê ele vê quando estou sem maquiagem. Será que sou tão estranho assim que isso não fez diferença alguma?

CB:É uma época emocionante, com o lançamento de "Worship Music", mas é também um alívio, saber que os fãs irão ouvi - lo finalmente depois de tantos anos?

SI: Não é tanto alívio, mas sim satisfação. Eu nunca questionei que esse álbum estava para sair. Nunca tive medo de que esse álbum eventualmente nunca visse a luz do dia. Eu somente sabia que quaisquer que fossem os obstáculos que encontrássemos durante os últimos anos nós iríamos fazê - lo.Nós iríamos fazê - lo e achar uma caminho fora dessa confusão em que nos metemos durante algum tempo.É uma satisfação pois eu sei como esse disco é bom. Foi muito especial quando começamos a concebê - lo. O material era muito bom e foi algo a que nos agarramos e o trabalhamos até o ponto em que conseguimos esse resultado. É maravilhoso que o resto do mundo finalmente irá escutá - lo.

CB: Eu acho que fazem 20 anos mais ou menos desde que você esteve num estúdio com Joey Belladonna.

SI: Sim. "Persistence of Time" foi o último álbum de estúdio que fizemos juntos. Estive escutando "Worship Music" durante os últimos meses desde que o terminamos e eu nem sinto como se estivesse escutando um disco de nossa banda. Fazia tanto tempo que eu não ouvia Joey cantando conosco que eu me senti como alguém de fora da banda, como um fã.Foi maravilhoso. É realmente emocionante e me faz ficar muito empolgado para sair e tocar essas músicas.Não parece que Joey perdeu algo durante esses anos. Ele ainda faz aqueles agudos no novo álbum. Na verdade ele ficou ainda melhor. É um desses casos raros, depois de todos esses anos ele está cantando ainda melhor. É incrível. Sua voz e sua criatividade nesse álbum superam qualquer outra coisa que ele tenha feito com o Anthrax. Eu acho que talvez tenha algo a ver com o fato de que depois de 20 anos sem gravar conosco ele tem muita coisa a dizer. Há muita emoção nessas músicas.

CB: O album tem tido uma ótima resposta até agora. Você presta alguma atenção às críticas e comentários?

SI: Desde o início eu acho que recebemos as boas e más novas do mesmo jeito. se você se liga apenas num desses dois aspectos você pode ter problemas. Sempre fomos bons em escutar a nós mesmos, sempre foi assim com a banda desde o início. Se tivéssemos dado ouvidos à pessoas de fora da banda no início dos 80's, naqueles anos de formação em que está vamos gravando nosso primeiro álbum, nós nunca teríamos feito aquele disco. Nós teríamos sido destroçados por tantas ideias diferentes. Nós focávamos naquilo que queríamos fazer como Anthrax e naquele tempo ninguém queria nos escutar, ninguém ligava para o que fazíamos.Foi aí que criamos essa nossa casca grossa. Você não gosta do que estamos fazendo? Tudo bem,você não tem que gostar. Nós gostamos.Você adora aquilo que fazemos? Incrível, ficamos felizes em saber mas não deixamos que isso nos influencie.

CB: Vocês farão um show em Nova Yorque alguns dias antes do "Big 4". O set-list será diferente?

SI: Provavelmente. Nós iremos tocar mais material novo no show do "Best Buy", porque tem mais a ver com o novo álbum. Será numa noite antes do álbum ser lançado. Eu acho que posso tranquilamente dizer que será um set-list diferente.

CB: Enquanto fazemos essa entrevista, vocês estão se preparando para ir ao Jimmy Fallon. Nos primeiros anos da banda, um grupo como o Anthrax jamais teria a chance de tocar num programa no horário nobre, como Johnny Carson. Os tempos mudaram.

SI: Isso é muito bom. Fizemos o Conan também (Conan O'Brien, apresentador). Nós até tocamos Arsenio Hall em 1993. Eu acho que essa foi nossa primeira aparição num programa de televisão no horário nobre. É bem estranho, estivemos no programa de Jay Leno em 2001, na verdade não para tocar, mas para fazer uma ponta com ele durante aquela paranóia sobre atentados com antraz. Fizemos essa ponta com ele e com Gilbert Gottfried. Foi então que descobrimos que não teríamos que mudar o nome da banda, pois Jay Leno estava fazendo piadas com ele.É muito estimulante ir ao show de Fallon. Sou seu fã. Estou realmente entusiasmado por estar lá.

CB: O "Big 4" está chegando a Nova Yorque. Posso imaginar que os primeiros concertos tiveram uma energia especial, mas e os outros que seguiram, tiveram a mesma energia ou se tornaram apenas mais um show?

SI: Oh, não. A energia nunca desaparecerá desses shows. De jeito nenhum. É simplesmente o melhor, em vários níveis. É uma coisa imensa. Não ligo se fizermos 200 deles, cada um será incrível e especial. É muita diversão estarmos lá e sermos parte de algo com nossos amigos de outras bandas. Há ainda o quão empolgadas as pessoas ficam ao ver isso. Além do mais pelos shows que fizemos nós sabemos como a multidão fica insana e como em todos os lugares as pessoas querem que o "Big 4" chegue até eles. Sabendo isso, compreendemos o quão privilegiados nós somos por fazer parte. Não é um direito nosso, é um grande privilégio porque muitas pessoas amam aquilo que fazemos. Além do mais, tocar nesses shows gigantescos é sempre divertido.

CB: Como um fã de longa data dos Yankees como que tal a experiência de tocar em NY, no estádio deles?

SI: Foi sensacional. Tenho dito para as pessoas que daqui para frente o que vier é lucro, e sonhando um pouco, se eu pudesse fazer qualquer coisa, o quê eu faria? Tocar num estádio dos Yankees estaria no topo da lista. É uma sensação incrível saber que iremos fazer isso. Sinto que esse dia passará tão rápido que irá levar algum tempo para eu ser capaz de olhar para traz e pensar à respeito.É até difícil de acreditar.

CB: Você gravou um álbum e fechou uma tour com "The Damned Thing". Foi um projeto de apenas um disco ou você planeja gravar mais álbuns com eles no futuro?

SI: Não há como dizer agora, porque nossos cronogramas atualmente são completamente diferentes. Nós todos a consideramos como uma banda de verdade e se tivermos a oportunidade de gravar um novo álbum seguramente eu o faria.

CB: Você tocou no álbum de sua mulher Pearl(Pearl Aday, filha do Meat Loaf) há alguns anos atrás. Há algo mais sendo preparado?

SI: Sim, com certeza. Ela já tem um punhado de músicas novas. O lance é fazermos uma demo e começarmos a finalizá-las.

CB: Você se formou na escola em 1981. Você irá na festa de 30 anos?

SI: Não, eu não poderia me preocupar menos. Não podia esperar para cair fora da escola. A última coisa que eu quero é voltar lá.

CB: Recentemente você fez um blog e entrou em redes sociais como o Twitter. Essas provavelmente se tornaram as plataformas mais importantes para promover a banda atualmente.

SI: É a maneira de falar sobre tudo que quisermos sem os intermediários, sem esperar que outras pessoas o façam para você. Isso é algo que eu acho importante, ficar no topo, manter a atividade, estar atualizado. As redes sociais, especialmente para grandes bandas com milhões de fãs, podem tornar as grandes gravadoras menos necessárias para progredirmos. As gravadoras já são completamente desnecessárias, elas se tornaram obsoletas.

TRADUÇÃO LIVRE DO PEDRÃO.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

ANTHRAX - COVERS

ANTHRAX
EUA
ESTILO : THRASH METAL

OUTRA COLETÂNEA SÓ DE COVERS, DESTA VEZ COM O ANTHRAX. ALÉM DOS JÁ MANJADOS TEM ALGUNS QUE EU NÃO TINHA OUVIDO COMO "REMEMBER TOMORROW" DO IRON, "EXIT" DO U2 E OUTROS. TEM 29 SONS. E DE TUDO!!
ESTE, BROTHER HELLRAISER, COM CERTEZA NÃO É OFICIAL!!!! O MELHOR COVER É O DO D.R.I.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

ENTREVISTA : DAN LILKER

Segue a tradução de uma entrevista com o Dan Lilker, figura muito importante na evolução dos gêneros musicais extremos ao longo da segunda metade da década de 80 e durante a década de 90. Tivemos a oportunidade de vê-lo tocando com o Nuclear Assault, em 1989, no saudoso Dama-Xoc em São Paulo, num show arrasador junto com o Sepultura. Quanto à entrevista achei algumas perguntas meio confusas, não é muito recente, o Brutal Truth ainda não tinha voltado. De qualquer maneira vamos lá ver o que um dos músicos mais inspirados da cena underground tem a nos dizer, pois com certeza suas opiniões vão além da mera descrição da cena atual de música pesada.

Dan Lilker tem estado envolvido com o Heavy Metal por muitos anos. Se alguém falar de sua primeira banda de verdade, o Nuclear Assault, ou seguir sua carreira desde a banda de speed metal de NYC Anthrax até seu trabalho no Brutal Truth, provavelmente reconhecerá algo que tenha sua marca na década e meia passada. Nós conversamos com Dan pela Internet e ele foi gentil e respondeu a algumas perguntas rápidas e meio obscuras.

1. Algumas pessoas o acusariam de vira casacas, pois sua trajetória cobriu diversos gêneros de speed metal ao grindcore ao Black Metal e para onde quer que a cena esteja.

DL: Vamos fazer uma rápida revisão de minha história no Metal. Participei da formação da Anthrax, fui mandado embora, pois o Neil Turbin (primeiro vocalista do Anthrax) era um mala. Formei o Nuclear Assault cerca de 1984, tocávamos mais rápido com mais influência de hardcore do que o Anthrax. Até aí nada de virar casaca. Fui convidado para me juntar ao SOD e aceitei. Nota, durante todo esse tempo eu sempre idolatrei minha coleção do Hellhammer e Mercyful Fate. Ok, depois de 8 anos no Nuclear Assault eu fiquei cansado de thrash Metal e quis fazer música muito mais extrema, daí surgiu o Brutal Truth. Isso foi virar casaca ou Meramente foi fazer o que gosto ao invés de estagnar e não me divertir? Em 1996 eu me juntei ao Hemlock por que eu gosto muito do Black metal dos anos 90 e ainda adoro essas velhas bandas. Talvez algumas pessoas mais cínicas possam ver isso como “virar casaca”, mas eu estive apenas procurando fazer o que gosto. Estou quase no fim. O Brutal truth terminou por razões pessoais em 1998, não por que eu estava cansado de tocar música que não fizesse sucesso, que não fosse popular. No início de 2000 eu fui convidado para tocar com ninguém menos que Chris Reifert (baterista, foi um dos fundadores do Death e do Autopsy, onde fez bateria e vocais) o que você acha que eu diria para isso?

2. Você está dizendo que muitas pessoas ficam falando merda por aí sobre metal? E muito obrigado pela pequena história de seu envolvimento com o Metal.

DL: Considere assim, quando eu falo merda e fico agressivo, todo mundo sabe quem sou, ok, e podem me encontrar no Metalfest cara a cara, mas eu não tenho a mínima idéia do que essas pessoas querem ou com que se parecem.

3. Nuclear Assault…vamos falar mais disso, se for possível. Quais eram suas influências na época? Quem escrevia o material? Por que a mudança para canções mais longas exclusivamente (exceto por obras primas como F# wake up) depois dos dois primeiros EP’s?

DL: Nós escutávamos muito HC e thrash metal, que eu me lembre, como Celtic Frost, Adrenalin O.D. e etc… John e eu éramos os principais compositores. Canções mais longas? Bem, o primeiro trabalho que lançamos, o EP Braindeath, tinha uma música de 9 min. Eu acho que amadurecemos, sei lá...

4. Quem teve a ideia do tema de Mr. Softee? Eu assustei muitos vizinhos com aquilo.

DL: Ha! John sempre tocou aquele riff estúpido nos ensaios e essa foi sua origem!

5. O SOD apareceu depois da expansão causada por bandas como DRI ou MDC, mas parecia uma extensão do que o Anthrax e o Agnostic Front estavam fazendo na época, juntos numa coisa só.

DL: Bem, repare que eu nunca disse que criamos o crossover, só disse que o fizemos mais popular. É verdade, os headbangers começaram a se ligar mais em HC depois do lançamento de “Speak english or die”, não tenha dúvida.

6. Eu acho que o Brutal Truth foi uma das luzes de esperança para o grindcore, pois a maioria das bandas parecia estar virando uma merda. Eu não o culpo por pular fora do estilo grindcore, quer as pessoas chamem isso de virar casaca ou não.

DL: Bem, o que me aborrece é a semântica do conceito “virar casaca”, que conotaria alguém que se esforça deliberadamente e conscientemente para tocar o que quer que seja popular, sem levar em consideração se gosta realmente do que está tocando. Isso nunca foi o meu caso, mas não posso fazer nada pelas conclusões de outras pessoas. Faço somente o que quero, toco somente e que quero e é isso aí, fim de papo.

7. Interessante, me parece que o Black metal é como o HC, ambos têm um tipo de ideologia e as pessoas levam essas divisões mais a sério. Até aqui falamos de quatro gêneros dos quais você participou e eu posso ver por que algumas pessoas o consideram vira casaca, minha opinião até agora é neutra. Quem formou o Hemlock e quais bandas de Black metal dos 90 você gosta?

DL: Eu já havia percebido que o HC e o Black metal tinham algo em comum, como uma idéia fixa, uma atitude mais verdadeira que os outros. Mas sempre me pareceu que as pessoas mais novas nessa cena são as que falam mais merda. O Hemlock foi formado por Lino (D777). Eu ainda gosto de bandas como Nazxul, Darkthrone, Immortal e outras.

8. Embora seja uma merda quando uma boa banda acaba, algumas vezes é inevitável. O Brutal truth foi uma das principais bandas da Relapse, não?

DL: Sim, nós definitivamente éramos uma das prioridades da Relapse e eles ficaram arrasados quando encerramos, mas não havia outro jeito.

9. É legal que um cara com mais de 30 anos ainda é capaz de manter seu estilo de vida. Falando nisso, mais algumas perguntas. Bongs (tipo de narguilé)ou cachimbos? Haxixe ou erva? Você prefere fumar constantemente ou fuma grandes quantidades de vez em quando? Alguma ideia profunda sobre a relevância do THC em seu estilo e idéias?

DL: Prefiro cachimbos definitivamente, sou muito preguiçoso para ficar recarregando um bong. Prefiro apenas encher o cachimbo e fumar o desgraçado. Gosto de haxixe e de erva tanto quanto, mas haxixe é mais raro por aqui então às vezes pode ser mais legal. Em março eu e minha mulher vamos para Londres e Amsterdam para nosso primeiro aniversário de casamento.

10. O grindcore é por natureza um gênero ideologicamente inspirado, como você está de maneira geral na linha de músicas de protesto, a maioria das quais podem ser chamadas de “esquerdistas’ ou “anarquistas”, você é parte desse clube. Me parece que para muitos músicos as letras são irrelevantes. Como você vê essa questão?

DL: Bem o Brutal truth tinha letras conscientes, mas seria um exagero dizer que somos anarquistas ou qualquer coisa do gênero. Nossas letras não eram diretamente políticas, ao contrário do DRI e COC. Além do mais quando Kevin assumiu os vocais em 1991 as letras se tornaram realmente interpretativas e indiretas. Quanto a mim, sou em primeiro lugar um baixista , um músico e as letras ficam meio em segundo lugar. Isso não quer dizer que vou sair por aí cantando “Matem os negros” ou “Vegetariano para sempre”. Minha visão do mundo? Sou uma pessoa bem tranqüila e tolerante e realmente não tento passar essas características para a música que toco.

11. Quando você estava tocando com o Brutal truth houve uma mudança no estilo no album “Need to Control” que marcou uma busca de harmonia mais profunda e de outra textura musical, que no primeiro álbum era direta, uma explosão caótica de grindcore. O que inspirou essa mudança? Se você pudesse fazer aquilo de novo, faria?

DL: Drogas, maconha mais especificamente. Bom, isso seria generalizar demais. Nosso primeiro baterista, Scott, que era careta, deixou a banda por que ele estava cansado de viajar e tocar bateria, o que ele queria realmente era ficar num sofá com um controle remoto nas mãos. Então veio Rich, um grande maconheiro como nós, que fazia uma música diferente, mais abrangente. Essa mudança também teve a ver com o fato de que várias músicas do primeiro álbum foram escritas somente por mim, o Need to control foi um esforço mais coletivo.

12. O Need to control é um dos meus álbuns favoritos de grindcore. Foi concebido como um todo? Quando e onde o material foi escrito e quanto “embelezamento” foi feito em estúdio?

DL: Olhando para trás posso dizer que não gosto da produção, mas as canções são boas. Eu não diria que foi escrito como um todo, embora o tenhamos escrito numa casa, ao lado de um lago em New Hampshire, no meio do inverno, fato que confere às músicas, na minha opinião, um tema unificante. As músicas noise foram gravadas no meu velho gravador cassete analógico Tascam de 8 canais (R.I.P.). Eu não estive presente durante a mixagem, a Earache (gravadora inglesa) jamais pagaria para os quatro membros da banda congelar em Liverpool, onde o álbum foi mixado. Assim não posso lhe falar nada sobre o “embelezamento”, mas vamos dizer que eu não acho que soe muito diferente das gravações originais.

13. O Nuclear assault teve problemas com adesivos de censura nos anos 80 e 90’s?

DL: Não, eu não acho que tivemos o nível de popularidade necessário para aqueles idiotas nos perceberem.

14. Há alguma banda atual que você curta?

DL: Terror Of The Trees.

15. O que é que você acha das seguintes bandas: Burzum, Beherit, Sarcofago, Krieg, Kult ov Azazel, Averse Sefira, Slayer, Repulsion, Napalm Death, Carcass, Graveland, Antaeus, Demoncy

DL: Burzum: grande música feita por um idiota. Beherit: todo seu trabalho é legal, desde aquele lixo (Oath) até mesmo sua porcaria eletrônica. Sarcófago: Lindo som cru e primitivo. Krieg: excelente banda e sempre apoiaram o Hemlock. Kult of Azazel: Nunca escutei, mas o Black Witchery diz que eles são bons. Averse sefira: também não escutei, vi um deles contra o D77 do Hemlock no FMP Board, para meu espanto geral. Slayer: não são mais como antigamente, mas ainda são grandes ao vivo. Repulsion: A sim, death-grind clássico, revolucionário. Napalm death: adoro o material mais antigo. Carcass: Ditto. Graveland: Certamente não concordo com a opinião de Darken…e seu baterista é tão ruim que sua música também não é boa. Antaeus: nunca escutei, mas tenho ouvido bons rumores. Demoncy: Toquei com eles em NYC. Caras legais, boa banda.

16: Você é casado, sua mulher curte Heavy metal?

DL: Sim, por acaso nós nos conhecemos em 2000 no Metal Meltdown, em março. Você deveria ver nosso apartamento.

17: Do que você gosta mais vivendo em NY?

DL: Conveniência.

18. O que mais o desagrada como residente nos EUA?

DL: Saber que a maioria dos europeus pensa que somos um bando de sabichões gordos e barulhentos.

19. Você já teve algum conflito ideológico com o Black metal?

DL: Somente com aquela vertente conhecida como NSBM. Pode me chamar de purista, mas eu acho que o Black metal não deve ser diluído com comentários sociais. Sem falar sobre o discurso de merda sobre negros, judeus e outras minorias. Eu classifico essas pessoas na mesma categoria que cristãos radicais como a KKK por exemplo. Qualquer pessoa que tenha algo em comum com esses idiotas não deveria estar tocando um gênero musical que rejeita visões religiosas comuns.

20. Eu entendo que você está se recuperando de uma infância sob a influência de uma religião do oriente médio (as maiores religiões ocidentais se originaram no oriente médio). Você pode nos explicar quais fatores o ajudaram e quais o atrapalharam nessa recuperação e como você começou a se afastar da religião judaico-cristã?

DL: Eu nunca fui uma pessoa religiosa, religião nunca significou nada para mim. Tenho sido um ateu desde que posso me lembrar, desde que eu cresci o bastante para entender o conceito de divindade. Meus pais nunca tentaram me coagir a seguir uma religião, pois eles também não praticam nenhuma. Eu suponho que o fato de eu nunca ter admitido a existência de deus me iniciou nesse caminho, mas foi só depois de conhecer Black Sabbath e Venom que esse ponto de vista adquiriu mais foco.

21. Você prefere indica ou sativa (variedades de maconha)? Qual é seu tipo favorito de sinsemilla (maconha sem semente)?

DL: Por favor, não me confunda com os tipos fissurados na revista High Times. Eu prefiro fumo forte do tipo Skunk ao invés de ragweed (maconha de má qualidade), mas posso fumar qualquer coisa que funcione. Eu gosto de fumar em grandes quantidades, ou devo dizer, sempre tenho uma boa quantidade comigo. Isso quer dizer que eu não gasto $50 em algo que vai durar apenas dois dias.

22. Além do baixo quais instrumentos você toca?

DL: Guitarra, teclado e bateria meia boca.

23. Você foi um dos primeiros baixistas a tocar com distorção. O que contribuiu para essa escolha?

DL: Eu acho que foi o som do Discharge, mais especificamente o album "Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing". Eu tinha um cabeçote para baixo Peaver Mark 4 que distorcia bem se você quisesse o usar para tal e foi assim que começou. Nunca mais parei de usar.

24. Quais músicos influenciaram sua técnica e qual a sua opinião sobre a técnica ao tocar?

DL: Para ser honesto atualmente eu não procuro inspiração de ninguém, nunca fui desses baixistas que praticam constantemente. Minhas inspirações originais vêem de bandas como Cream, Zeppelin, Sabbath e mais tarde o Steve Harris do Iron maiden. Tocar abusando da técnica não é meu estilo, mas de qualquer maneira eu nunca condenaria ninguém por fazê-lo.

25. Quando vi você tocando no Anti-club em Los Angeles anos atrás, com o Brutal truth, sua resposta depois do público pedir Lord of this world foi fazer foda-se para o céu. O que você acha de deus? Você faz claramente uma distinção entre tolerar as práticas religiosas dos outros mas também tem uma postura definida em relação à religião. O que você acha das práticas religiosas diárias das pessoas e como elas diferem das práticas de organizações como a KKK, por exemplo.

DL: Nessa ocasião provavelmente eu estava bêbado e chapado e posso ter agido levianamente. Em relação às práticas religiosas de terceiros eu normalmente as ignoro. Se algumas pessoas precisam acreditar nessa estrutura espiritual em suas vidas isso é com elas. Eu até acho que os extremistas são mais honestos em seu ódio. Eu não preciso de nenhuma merda dessas.

26. Me parece que o Black metal foi formado sobre essas crenças e num renascimento da fascinação pela cultura clássica e pela cultura européia. Você acha que existe espaço para pessoas com visão esquerdista práticas tolerantes, como as suas, no Black metal ou você acha que seria como uma banda nazista de grindcore, uma aberração?

DL: Não concordo com você. Originalmente o Black metal não tinha inspiração política. Toda essa fascinação com origens culturais apareceram na década de 90.

27. Essa é uma questão interessante para mim, os EUA estão prestes a entrar num estado policial de precaução enquanto ao mesmo tempo estão engajando em atividades cristãs para salvar um estado judaico, seu aliado no oriente médio. Como você se sente nesta situação caótica? Você acha estranho que esquerdistas estão encorajando coisas que muitos considerariam reformas fascistas? Estou falando da justificação da liberdade feminina, da liberdade musical e de discurso no Afeganistão e outros discursos de Bush, em sua guerra contra o “eixo do mal”. Você vê essa situação como positiva, negativa ou acha que ela possui aspectos bons e ruins?

DL: Oh, tudo isso é uma maldita bagunça. Eu concordaria que os Israelitas não são melhores do que outros merdas por aí, com a exceção notável de que quando eles retaliam, não matam pessoas inocentes num mercado. É muito difícil dizer o que é certo ou errado naquela parte do mundo, algumas pessoas vêem os EUA como imperialistas intrometidos, outros vêem o oriente médio como um buraco de merda cheio de fundamentalistas psicóticos. Minha opinião? Diria que nem todos os muçulmanos são terroristas, mas o contrário parece que é válido.

28. Se você pudesse tocar numa banda com outro músico digno de nota, qual seria e por quê?

DL: Seria interessante fazer uma jam com Trey Azagthoth, ele me parece ser um músico bem focado, intenso. Afinal, eu já toquei com Reifert!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007